



CAPITULO 01
Conexão Viking
Volume Dois
O RANCHO NEVADO
Da varanda de seu vasto, protegido e isolado rancho ao pé das Montanhas Rochosas no Colorado – Nova América, Edinelson Nuñez contempla seu legado. A fazenda cria gado para a produção de leite e derivados que abastecem fornecedores de toda a Federação da Nova América. O trato com os animais, a produção dos laticínios e até a logística de venda, carga, descarga, envio dos produtos e aquisição de insumos são automatizados.
O casarão é rústico e tradicional, porém esconde mistérios em seu subsolo secreto: um bunker de alta tecnologia — a base de suas missões no universo subatômico quântico do tempo. O celeiro e os pastos ao redor são operados por robôs humanoides; os veículos são autônomos — um disfarce perfeito para manter funcionários humanos longe dali.
O ambiente era de paz natural com tecnologia avançada. EdiNuñez deixou de lado o relatório do dia que revisava em seu vítreotablet galiônico para dar atenção a Livy, que se aproximava com uma tigela de mingau de aveia preparado por ela na moderníssima cozinha da casa.
— Espero que agora eu tenha acertado o ponto do cozimento e a quantidade dos flocos. Da última vez, usei uma embalagem toda e quase virou uma massa sólida...
Ela lhe passou o mingau, esperando o veredicto. Ed não se importava com o resultado, apenas com o bem-estar dela. Adaptar-se a um mundo com três séculos de diferença exigia paciência extrema, e isso ele tinha de sobra.
Há menos de 50 anos, o mundo pulsava com o ápice tecnológico das cidades inteligentes, antes do colapso de 2033 que varreu os smartphones e as redes binárias. Para alguém de 1798, o ano em que Livy fora resgatada, isso já seria inimaginável. Ed já nasceu sem esse período na memória coletiva; os poucos remanescentes maduros da Geração Alfa, agora cruzando a casa dos sessenta anos, são os únicos que ainda lamentam a falta que o mundo conectado lhes fez.
Livy lhe deu um selinho após Ed aprovar a guloseima — ele devorou todo o mingau, afirmando que ela havia acertado. Animada, afirmou que voltaria para a cozinha; estava testando receitas e logo o chamaria para ser seu provador de iguarias novamente.
Ele assentiu e, quando ela se levantava, deu-lhe um tapinha no short que cobria sua bunda empinada e sexy, cuja frente estava oculta pelo avental. Ela parou, sorriu olhando por cima do ombro, esperava — e levou — uma nova palmada carinhosa de incentivo e saiu rebolando o traseiro como provocação debochada, deixando-o imerso em pensamentos maliciosos, isso o fez lembrar-se da loucura que foi aquela viagem à Inglaterra do século XVIII.
—“Sucesso absoluto no resgate do Códice Tártaro e do seu manual”— pensou consigo mesmo, ciente que o bem mais precioso que resgatou acabou de sair rebolando.
A ideia não era alterar o destino da Revolução Francesa, isso era impossível, mas apenas retirar de cena um artefato — um objeto que daria uma vantagem tática imensa a Bonaparte. O mundo cairia aos pés do futuro imperador francês e o terror iria muito além do Velho Mundo. Deixá-lo menos letal era o objetivo.
Ed sempre leva consigo um souvenir do passado para sua coleção e desta vez não foi diferente: ganhou seu maior presente, sua companheira Livy, mas o souvenir físico foi a balestra exótica do mercenário beduíno que cruzou seu caminho, uma arma belíssima que agora está no seu acervo particular, em uma sala protegida e isolada. O tempo é implacável e por pouco ele não perdeu Livy para a morte. Sua vida no passado acabou e sua trajetória no futuro, ao seu lado, apenas começou.
—“As lacunas foram fechadas. O gordo pagou a conta da Morte. O boticário pagou pela traição. Dei sorte de sair com o Encriptador e com ela. No final, deu tudo certo!”
Apesar da interferência dos espiões franceses no momento do resgate no velho depósito em Manchester, Ed relembrava saudoso daquela aventura; ela marcou sua vida pelos motivos óbvios... a sua Livy Emanuelle.
Na cozinha da residência principal, ela também vagava em pensamentos pela linha do tempo enquanto aguardava o forno de plasma assar uns biscoitos de amêndoas e preparava um suco natural gelado.
— “Após aquele clarão que rasgou o céu na estrada de Manchester, a realidade se reformulou ao meu redor, e eu não mudei apenas de tempo, mas de espaço. Vim de minha saudosa Inglaterra para o Novo Mundo, um lugar que só sabia existir ouvindo conversa alheia. Além disso, não sou mais nem a sombra daquela mendiga que um dia foi uma ladra na lama de Rochdale”.
Após sua chegada, ela se tornou Livy Emanuelle, a esposa ainda não oficial de um viajante do tempo, residindo no lugar mais bizarro que seus olhos já viram e que sua mente sequer ousou imaginar existir. Tudo se tornou mais que uma novidade concreta para quem, no passado de quase trezentos anos atrás, era apenas uma rata de rua invisível — uma realidade abstrata, distante linearmente por apenas dois meses de memórias do dia que pisou em 2075.
... Continua...
Esta história tem roteiro original e foi escrita para os nichos literários Hard Sci-Fi (Ficção Científica fundamentada), Romance Histórico/Épico e Romantasy (Romances maduros de fantasia/ficção). Nela há descrições de violência e conotação sexual. Não contém cenas explícitas, mas é recomendável para público adulto.

