CAPITULO 10

Conexão Viking

Volume Dois

O RITUAL DA ANOMALIA

Livy sentiu um frio na espinha que parecia ressoar diretamente das planícies gélidas do Báltico. Ela sabia que o tempo de compasso de espera havia chegado ao fim e que o passado chamava seu amado para longe de seus braços.

— Me prometa, Ed!

Livy pediu, a voz tingida por uma ponta de ciúme involuntário ao encarar a projeção flutuante que desenhava os contornos da velha Europa.

— Quando o chamado da missão tocar, vá com cautela, pegue o objeto e volte no mesmo minuto. Eu não vou suportar esperar três semanas inteiras sem notícias, trancada neste Rancho, imaginando com quem tu vai estar se enroscando durante dez anos lá na Dinamarca... Dizem que as mulheres de lá têm o dobro do meu tamanho, são loiras e as mais lindas do mundo!

— Relaxe!

Ed sorriu, seu tom de voz grave, tentando acalmar os temores da jovem. Ele a puxou pela cintura com firmeza, eliminando qualquer espaço físico entre os dois.

— Aletheia mantém as variáveis matemáticas sob controle rígido, mas o imprevisível é o que torna a Galiometria uma arte viva. É aí que entra meu improviso, a minha malícia de fuzileiro. Se alguém tiver que cair na linha temporal para que eu retorne para você, que sejam os espiões do Kaiser. E eu lhe prometo, Livy: eu sempre volto para casa.

Ele inclinou o rosto, roçando o nariz na curva do pescoço dela, onde a pulsação da garota ecoava acelerada.

— Ah!… e quanto às belas e altas dinamarquesas, garanto que o seu tempero de pimenta asiática não sairá da minha boca e nem da minha mente por um segundo sequer.

A voz mecânica de Aletheia cortou subitamente o ambiente através do som ambiente, interrompendo um momento que já se projetava para uma “ocupação espanhola” nas colinas sinuosas do Cáucaso. O ar estava maliciosamente pesado, saturado pela eletro-estática erótica quando os sensores de varredura clínica da inteligência artificial detectaram a súbita alteração biológica do casal, mapeando hormônios e calor em tempo real.

— "Obtivemos a janela exata e a autorização do Supremo Galiônico para o salto trans-temporal. Agente EdiNuñez, inicie imediatamente o protocolo de preparação mental e isolamento físico. O marco temporal de partida será amanhã, às 12h15 no fuso do Colorado. Isso corresponde exatamente às 19h15 na coordenada geográfica da região nórdica no ano de 1918. Os registros históricos integrados indicam frio intenso, neve fina e escuridão total no quadrante; condições táticas ideais para infiltração camuflada e reconhecimento inicial do perímetro em Copenhagen".

A inteligência galiônica fez uma pausa calculada de exatos 3 segundos antes de prosseguir, modulando as frequências sintéticas para ajustar o tom de voz com uma ironia fina e quase humana:

— "Nossos sistemas registraram uma elevação atípica na frequência cardíaca de ambos e um pico de temperatura cutânea na jovem Livy que desafia a varredura convencional. Desculpem-me; sinto que interrompi um alinhamento estritamente íntimo, dado que há uma assinatura de energia consideravelmente turbulenta no ar deste quadrante. Perdoem-me pela invasão intempestiva e biométrica. Estou de saída, podem livremente realizar seus rituais mundanos de despedida; somente voltarei a contatá-los em caso de emergência sistêmica ou colapso na malha. As fundações do Rancho Nevado já se provaram resistentes o bastante para suportar a intensidade tectônica de vocês dois quando estão juntos".

Ed balançou a cabeça, soltando um riso abafado e cúmplice diante da audácia do algoritmo, enquanto Livy encarava o teto com as bochechas coradas, sem saber se ficava irritada ou envergonhada por ter seus desejos escaneados. Seria apenas sarcasmo puro de uma unidade de inteligência em processo de humanização comportamental... ou Aletheia estava realmente aprendendo a arte de alfinetar os sentimentos humanos?

Assim que a voz dela se extinguiu, o ar, antes pesado pela presença da IG, tornou-se elétrico e puramente instintivo. Nenhuma palavra precisou ser dita; seu olhar escuro era um comando absoluto e, ao mesmo tempo, uma súplica de homem que sabe que pode não ver o amanhã. Ele avançou e Livy, em um reflexo de quem conhece a própria alma espelhada no outro, colidiu contra o seu peito com a força de um ímã. Ela o escalou com agilidade suas pernas e se fixou na cintura dele como se fosse uma rocha firme, um meio de ver o mundo do alto. Suas bocas se uniram após uma expiração profunda para uma apneia faminta, um beijo longo e voraz, digno de campeões que desafiam o próprio oxigênio.

O caminho sinuoso até o quarto transformou-se em uma coreografia perfeitamente ensaiada pelo improviso da paixão. Uniram a fome ancestral com a vontade mútua de se perderem um no outro, sem mais nenhum traço da timidez ou dos melindres arcaicos do início do relacionamento em Rochdale; restava apenas a urgência crua de quem sabe que o tempo é um senhor cruel que cobra caro por cada minuto de afastamento.

Entre um passo tropeçado e outro pelo corredor escuro, as mãos firmes de Ed mapeavam as curvas daquela "pimentinha" com a possessividade cega de um conquistador que acaba de aportar no Oriente, desbravando territórios de pele e calor sob o tecido fino que teimava em separá-los da eternidade que os aguardava.

Livy, por sua vez, prendia os dedos nos cabelos dele, puxando-o para beijos profundos que não eram apenas trocas desesperadas de fôlego, mas uma verdadeira fusão de códigos biológicos, memórias e carne. Naquela urgência compartilhada, cada toque funcionava como uma conversa silenciosa onde o passado de privações dela encontrava o futuro tecnológico dele. O oxigênio parecia escasso no corredor na penumbra, mas nenhum dos dois estava preocupado em respirar de forma compassada; a única prioridade era consumir a presença mútua antes que o relógio iniciasse a contagem regressiva para o isolamento.

Roupas de tecidos foram deixadas para trás pelo caminho, descartadas no chão de madeira como se fossem velhas cascas de uma realidade que não lhes servia mais. No meio do corredor, veio o primeiro impacto físico: as costas macias de Livy colidiram contra a superfície fria e rígida da parede, enquanto o calor avassalador do corpo de Ed a cercava por completo. As manobras íntimas naquela garagem estreita não aceitava rendição parcial ou hesitação. Ali mesmo, entre sussurros entrecortados e gemidos abafados, eles provaram o primeiro e avassalador êxtase daquela tarde de inverno.

Quando finalmente alcançaram a penumbra do quarto e a imensidão da cama, afundaram sem reservas entre a maciez acolhedora do colchão e a rigidez muscular de seus corpos em constante atrito. Cada movimento planejado pelo instinto os forçava a explorar níveis de contato físico e conexão espiritual mais elevados. Nada foi poupado, adiado ou negligenciado; todas as entradas, reentrâncias e caminhos foram explorados sem trégua, como se estivessem mapeando um novo continente.

Uma… duas horas de prazer febril e ininterrupto passaram voando pela janela temporal do quarto, até o momento exato do tombo inesperado. Na dinâmica dos movimentos, ela acabou caindo por cima dele ao escorregarem da cama, o que a protegeu, mas não poupou o fuzileiro do impacto contra o solo. A dor física foi breve, mas a tontura causada pelo baque seco e surdo de sua cabeça contra o carpete grosso durou dez segundos inteiros… que na mente de ambos pareceram horas intermináveis de suspensão.

— Esse é o fenômeno clássico da relatividade temporal na prática — Ed comentou com a voz rouca, massageando a nuca enquanto olhava para ela. — Um único segundo de dor física parece durar horas, enquanto uma hora inteira de prazer absoluto equivale a um mísero segundo.

A surpresa genuína nos olhos de Livy e a gargalhada alta de Ed tornaram este momento em algo hilário e descontraído, quebrando momentaneamente o ritmo e servindo apenas como o combustível necessário para reiniciarem tudo de novo, com ainda mais vigor.

O emaranhado caótico de pernas suadas e promessas sussurradas seguiu ali mesmo, no tapete macio que decorava o chão do quarto; nem mesmo a rigidez do piso foi capaz de interromper a cadência ritmada de seus corpos.

O conceito de "infinito" que estava emoldurado na pintura da parede da sala agora se materializava na prática através de toques que desafiavam qualquer lógica matemática. As mãos firmes dele exploravam as curvas sinuosas dela, enquanto seus dedos ágeis mapeavam as reentrâncias mais íntimas dela. Eles não estavam apenas se amando; estavam selando um pacto eterno de sangue, gálio e luz.

Cada tremor involuntário de prazer, cada arquear involuntário de costas e cada gemido contido contra o ombro do parceiro era devidamente registrado na memória viva daquela jovem mulher do século XVIII. Por amor, Livy aprendeu a sentir e a processar o que nem o mais potente e moderno processador galiumétrico do futuro poderia descrever em relatórios técnicos: o prazer indescritível de estar, eternamente, inteira e segura nos braços de seu salvador.

— … E o risco também — completou ela, em um murmúrio preocupado.

... Continua...

Esta história tem roteiro original e foi escrita para os nichos literários Hard Sci-Fi (Ficção Científica fundamentada), Romance Histórico/Épico e Romantasy (Romances maduros de fantasia/ficção). Nela há descrições de violência e conotação sexual. Não contém cenas explícitas, mas é recomendável para público adulto.

Imagem: colagens do Pinterest