



CAPITULO 12
Conexão Viking
Volume Dois
PROTOCOLO DELTA SETE
Livy olhava para a tela da Mesa de Ressonância Temporal, que só transmitia estática de retorno. Nenhum som ou pedido de ajuda vinha de seu amado. Os visores não registravam absolutamente nada: funções vitais, movimentos, um vazio completo.
Aquilo era uma novidade absoluta para a Equipe Macro, mas para todas as emergências na linha temporal, existiam protocolos rígidos a serem executados, e com este não seria diferente. Manter a calma era o primeiro passo obrigatório, mas o silêncio de metal dentro da sala era perturbador.
Livy finalmente saiu da letargia que a atingira em cheio:
— Faça alguma coisa, Aletheia! Chame-o de uma vez pelo comunicador para saber como ele está!
— "Não! Controle seus impulsos" — a Inteligência Galiônica rebateu de imediato.
— "Em nenhuma hipótese entre em contato durante as viagens temporais. Um pulso de áudio pode denunciar a localização exata do agente para um provável inimigo e transformá-lo em um alvo estático".
Aletheia processava bilhões de variáveis em milissegundos, tentando conter o furor da fêmea humana que ardia diante dos gráficos congelados. Para Livy, o vazio na tela representava o fim; para a máquina, era apenas um problema lógico pendente de execução. Subitamente, o Painel de Monitoramento de Atividade Corpórea começou a funcionar em saltos intensos de luz.
— "Ele está vivo. O eletrocardiograma acusa que seus sinais vitais estão ativos; apenas os batimentos cardíacos encontram-se acelerados devido à descarga de adrenalina. Vamos ter paciência e aguardar que ele estabeleça a comunicação conosco".
Aletheia agora assumiu uma postura na voz que denotava orgulho:
— "O agente EdiNuñez é um ativo altamente capacitado. Antes de assumir seu posto como agente de campo na linha temporal, ele era um oficial de elite com a patente de Tenente-Comandante dos SEALs, uma força de Operações Especiais da Marinha altamente treinada para missões de alto risco e impacto em combate, especialista em sobrevivência, resgate e camuflagem extrema em ambientes hostis".
— Esses termos eu não sei bem o que significam: Tenente… SEAL… Operações Especiais… Mas deve ser algo que qualifica o meu Ed para as missões, não é? Isso deve ser um alívio para mim? Por quanto tempo devemos esperar? E você disse que precisava de minha ajuda... O que precisa que eu faça?
Livy estava extremamente nervosa, o que não ajudava na dinâmica da situação.
— "Acalme-se, Livy Emanuelle! Ou serei obrigada a pedir que se retire da sala de controle" — a Inteligência Galiônica alertou de forma firme.
— "Posso contar com sua colaboração funcional? A Equipe Macro está avaliando as causas e efeitos da anomalia e logo nos comunicará um diagnóstico claro; enquanto isso, o que podemos fazer de útil é esperar, sem pânico da sua parte".
Livy estava paralisada, seus olhos fixos nos painéis e sua mente em alerta máximo, tentando não pensar no pior. Ela se lembrou das explicações de Ed sobre a anatomia peculiar das viagens temporais e puxou conversa com Aletheia, mais querendo afastar os pensamentos negativos do que realmente saber os detalhes:
— Eu sei que cada minuto que passa aqui corresponde a cerca de duas horas e quarenta minutos lá. E ele já não dá notícias há quase dois minutos... Meu Deus! Isso é mais de cinco horas no passado!
— "O valor exato de compressão cronológica é de duas horas e quarenta e oito minutos no passado para cada minuto decorrido neste ambiente, ou precisamente cento e sessenta e oito minutos de ação linear para cada ciclo de sessenta segundos no Rancho, Livy Emanuelle" — a voz de Aletheia ressoou, fria e exata como uma lâmina.
— "O tempo de incomunicabilidade do agente acaba de atingir um minuto e quarenta e cinco segundos aqui; ou seja, quatro horas e cinquenta e quatro minutos em um local geográfico ainda desconhecido".
Livy sentiu o ar escapar dos pulmões. Quase cinco horas sozinho em um tempo que não era o seu. De súbito, uma voz mecânica e impessoal cortou o silêncio da sala secreta, fazendo as luzes oscilarem:
— "Divulgando parâmetro de atualização do status da missão. ATENÇÃO! Local de pouso reconhecido: País: Alemanha... Cidade: Flensburg, próximo à fronteira com a Dinamarca. Situação: Risco extremo. Local sob ataque bélico!"
Livy agora estava estática, atônita ao ouvir a mensagem oficial do sistema. Aletheia tomou uma decisão imediata:
— "Livy Emanuelle, atingimos dois minutos e trinta segundos sem comunicação. O PROTOCOLO DELTA-7 foi ativado; preciso de sua colaboração urgente".
— O que precisa que eu faça? Diga de uma vez! Estou à sua inteira disposição.
— "Apenas me escute com atenção: o marco vital dele mostrou que o organismo ficou um segundo em estado offline absoluto; isso representa dois minutos e quarenta e oito segundos desacordado no passado"— Fez uma breve pausa para assentar a informação e prosseguiu:
— "Ele está ativo no momento, com todas as suas funções motoras operacionais, mas algo físico danificou ou desligou o seu comunicador quântico. Ele já se encontra há exatamente sete horas na linha temporal do passado sem atualizar o relatório"— A missão de Livy tem a urgência da fala de Aletheia.
— "É imperativo religar remotamente o comunicador. Para isso, preciso que você o faça, seguindo à risca minhas orientações. Está disposta a colaborar?"
Livy, com a voz embargada, mas resoluta, questionou-a:
— O que eu posso fazer que você, uma Sinapse de Processamento Crítico não possa?! O Ed me disse que você tinha todos os protocolos para o caos!!!
— "Livy, sou uma frequência virtual, meu hardware está ancorado aqui no presente. O erro está lá, no passado, inatingível pelas minhas malhas digitais. O sistema do agente EdiNuñez está funcional, mas eu não possuo a capacidade física de acionar o Refletor Quântico Auxiliar, o RQA"— Vendo o cenho franzido dela, não entendendo a dinâmica de suas palavras, simplificou:
— "É um mecanismo estritamente manual. Pela primeira vez desde a minha ativação, eu necessito de ajuda física. Entendeu?"
Livy assentiu em silêncio. A máquina que ela achava que a odiava apenas por ela existir naquela linha temporal demonstrava agora uma preocupação legítima com Ed e uma paciência sincera com ela. Aletheia seguiu orientando-a:
— "Esta é uma emergência Classe A que foi exaustivamente treinada com o androide George; porém, por ele operar sob uma estrutura de primeira geração, falhou em cem por cento das tentativas simuladas"— Agora, com um tom que denotava preocupação, sinalizou um alerta mortal:
— "Há variáveis de risco biológico extremo que precisam ser consideradas em sua decisão de agir nessa missão. No entanto, você, mesmo sem treinamento militar, possui em minhas avaliações um alto índice de probabilidade de sucesso por deter uma capacidade intelectual surpreendentemente elevada".
Um arrepio de compreensão tomou conta de Livy:
— E onde está esse... Refletor?
O marcador do Cronômetro Fissural voltou a lembrar que o tempo não parava: três minutos sem contato e a contagem avançava de forma implacável. Aletheia, inabalável em seus algoritmos, seguiu orientando a jovem:
— "Livy Emanuelle, você precisa ir até o celeiro, mais precisamente no Criocentro Quálio e entrar no congelador industrial de laticínios. Lá existe um equipamento civil que esconde sua real função técnica: Você precisará violar o acesso por dentro dele até alcançar uma câmara secreta fortificada onde está instalado o RQA".
O trabalho consiste em acionar manualmente a Manivela de Reversão Fissural. Isso emitirá o pulso necessário para que o agente EdiNuñez possa reverter a polaridade quântica de seu dispositivo no passado, reiniciando o sistema de comunicação.
Uma breve pausa processual ecoou nas saídas de som antes de vir o alerta biológico:
— "O local possui quinze metros de extensão em escuridão absoluta até o ponto da manivela, mas o perigo real reside no frio extremo do perímetro, que registra cento e dez graus negativos devido à exposição direta ao nitrogênio seco na criogenia. Tudo o que é líquido naquele ambiente congela em questão de segundos.
Em ambientes de nitrogênio em estado criogênico denso, o sangue reage quase imediatamente ao choque térmico por congelamento celular, mesmo se o indivíduo estiver sob a proteção de uma grossa camada de vestimenta térmica convencional. Aletheia complementou, em um tom que quase simulava um sussurro em segredo:
— "O agente EdiNuñez não aprovaria essa missão se soubesse que coloco sua integridade física em risco existencial, mas não há um Plano B, nem tempo hábil ou outra opção viável para o resgate".
Livy levantou-se da cadeira hergométrica, resoluta:
— No celeiro? Irei o mais rápido que as minhas pernas aguentarem correr!—Aletheia, incapaz de assimilar que aquilo era apenas uma metáfora humana, interveio de forma firme e imediata:
— "Nunca faça isso! Você terá dois cuidados vitais e obrigatórios em seu trajeto. Primeiro: não corra de forma alguma. Você ainda não adquiriu o status civil de residente no sistema de segurança automatizado do Rancho".
Esse cadastro exige dois anos de registro de convivência nos protocolos de validação. Correr aciona o sistema de defesa automático do perímetro e Livy seria sumariamente abatida por ser considerada uma ameaça invasora.
— "Segundo: utilize os equipamentos de sobrevivência para frio extremo que estão no armário de transição. Isso vai limitar severamente seus movimentos físicos, mas protegerá sua integridade biológica".
O androide George falhou em todas as simulações justamente porque seus fluidos hidráulicos internos congelavam antes do objetivo.
— … E o risco também — completou ela, em um murmúrio preocupado.
... Continua...
Esta história tem roteiro original e foi escrita para os nichos literários Hard Sci-Fi (Ficção Científica fundamentada), Romance Histórico/Épico e Romantasy (Romances maduros de fantasia/ficção). Nela há descrições de violência e conotação sexual. Não contém cenas explícitas, mas é recomendável para público adulto.
Imagem: colagens do Pinterest



