



CAPITULO 13
Conexão Viking
Volume Dois
AVENTURA CONGELANTE
Agora, Aletheia assumiu uma postura sombria em sua voz mecânica:
— "Se o RQA não for acionado em quinze minutos, o equipamento temporal de EdiNuñez entrará em colapso sistêmico e ele não poderá mais ser contatado. Sei que estou pedindo muito, mas pode realizar a operação?"
Livy respirou fundo, sentindo o peso da responsabilidade esmagar seus ombros. Ela não era mais apenas a jovem apaixonada ou a nativa deslocada no tempo; ela era o único fio de esperança que mantinha EdiNuñez preso à existência.
— Vamos lá! Guie meu caminho e não me faça errar um único passo.
A voz de Livy não tremeu mais. Ela teria que cruzar o limiar da sala, deixando para trás a segurança do calor e entrando no corredor que a levaria ao gelo absoluto. O relógio da Mesa de Ressonância Temporal piscou cruelmente: cinco minutos e doze segundos.
No passado, o tempo de Ed estava se esgotando. Era o destino lhe dando a chance de mostrar à máquina que a descartou que ela precisaria, agora, de sua ajuda — e que o tempo não a trouxe ali por acaso.
Aletheia, impassível, deu as últimas orientações a Livy; tudo dependia dela. Era uma emergência que justificava a atitude intempestiva de utilizar um ativo civil para uma operação de cunho militar e secreto. Não havia outro jeito e, no calor da batalha, usam-se as ferramentas disponíveis para que os fins justifiquem os meios.
— "Coloque o fone auricular; assim estaremos permanentemente em contato".
A IG orientou que na bolsa pochete há um Cronovísion Facial para ela conseguir enxergar dentro do Criocentro Quálio, um par de luvas táteis com sensores que permitirão seu acesso a todas as dependências lacradas no caminho.
— "Coloque-os e vá agora. Entre no elevador e siga minhas instruções…"
O tempo agora era um inimigo mais que implacável e não tolerava vacilos. A voz mecânica da Mesa de Ressonância Temporal voltou a emitir seu compasso fúnebre através dos alto-falantes:
— "Oito minutos sem contato e contando".
Livy ultrapassou o primeiro obstáculo: subir pelo elevador sem a presença de seu amado.
— Saí na biblioteca, indo agora para o escritório que tem acesso para a sala de estar. Para onde devo seguir, Aletheia?
A comunicação entre as duas fluía com clareza, como se ainda estivessem na sala secreta.
— "Ótimo. Agora siga com calma até a garagem de trás e suba no monociclo".
Livy tremeu na base, segurando o fone com os dedos trêmulos:
— M—… Mas eu não sei pilotar isso! E agora, o que eu faço?!
— "Não se preocupe, o veículo é totalmente autônomo... Suba e ele a levará ao celeiro; eu estou no comando" — assegurou Aletheia.
— "Cada ciclo de segundo está sendo computado e é fundamental para a sobrevida do agente EdiNuñez. Além do mais, mantendo-se no monociclo, você não correrá o risco de acionar os sensores de segurança do Rancho".
Os cerca de cinquenta metros entre a residência principal e o pavilhão do celeiro foram vencidos de forma rápida e silenciosa. Livy estava angustiada, um contraste brutal com a frieza analítica de Aletheia.
— Cheguei... E agora?
— "Está diante do Criocentro Quálio? um grande cilindro de alumínio polido?"
— Sim, o veículo me deixou ao lado dele.
— "Na parte de trás, existe uma parede com um painel digital. Toque nele com a luva tátil espalmada; isso acionará os sensores de acesso e abrirá uma porta de correr. Adentre o perímetro".
— Tudo certo, a porta abriu automaticamente. Entrei — relatou a jovem, o coração batendo na garganta.
— Para onde vou agora?
— "Está vendo um armário metálico à sua direita? Abra-o, pegue e vista imediatamente o agasalho termal de alta densidade. Não se esqueça de suspender o capuz e ajustar a balaclava".
Aletheia enfatizou com rigor militar que aquela peça de rosto possuía o Injetor Osmótico de Oxigênio conectado direto às narinas. Sem esse dispositivo mecânico protetor, aspirar o ar ambiente saturado de vapor de nitrogênio criogênico faria o cérebro entrar em hipotermia instantânea, congelando o fluxo sanguíneo que alimenta a base do crânio, causando morte súbita.
— "Por cima de tudo, coloque o agasalho de proteção contra o frio; esse é o mesmo padrão de roupa de sobrevivência dos exploradores nos círculos polares".
Livy olhou os agasalhos e agora entendia o porquê de esse aparato de segurança dificultar a locomoção.
— M—... Isso é pesado demais! Não conseguirei sequer ficar de pé vestida nisso, agora imagine andar quinze metros de ida e quinze metros de volta!
Aletheia ouviu o desabafo e tomou sua decisão processual instantânea:
— "ABORTAR MISSÃO! Era uma tentativa, a única possível, mas se você não consegue se proteger adequadamente, o resultado não compensa o risco".
— Eu não disse que desisti! Eu apenas não vou usar toda essa roupa.
— "Do que está falando, Livy Emanuelle? Entrar sem a devida proteção térmica é morte certa e quase instantânea! Desista dessa ideia agora!"
— Aletheia... Confie em mim. Eu… eu tenho... segredos que não compartilhei nem com o Ed. Vai dar tudo certo, só me dê essa chance de me provar e salvar quem me salvou!
Livy colocou o Cronovísion Facial e a balaclava com o Injetor Osmótico no rosto, se aproximou de uma porta pesada com adesivos de perigo, avisos de proteção glacial e risco real de morte. Ela ignorou todas as advertências e, com a mão tátil espalmada, abriu a porta do Criocentro Quálio, revelando um breu na escuridão.
Vendo que Livy se preparando para entrar com a roupa civil com que estava, Aletheia reagiu de imediato nos fones dela:
— "AUTORIZAÇÃO NEGADA! Livy Emanuelle, retorne de imediato, isso é uma ORDEM!"
— NÃO SOU SUA EMPREGADA! O único que manda e a quem obedeço é o Ed, e a vida dele depende de mim... Apenas me oriente no que fazer lá dentro!
— "NÃO SE ATREVA A ME DESOBEDECER!!! Volte imediatamente para… Moleca atrevida!!! Vejo nas câmeras de segurança que ela adentrou o Criocentro... É LOUCA!"
— Já estou dentro... E agora, para onde vou?
Aletheia estava atônita. Pela primeira vez em sua existência, encontrava-se em uma situação totalmente fora de seu controle absoluto. O cronômetro ressoou um novo aviso através dos emissores: “Dez minutos sem contato e contando”.
Não havia alternativa residual a não ser orientá-la, mesmo sem entender a métrica do que acontecia ali dentro — algo matematicamente impossível pela lógica e pela biologia humana convencional.
— "Localize o botão T-S, o Temporal-Search, e pressione-o; em seguida, posicione a luva tátil no local adequado que a passagem se abrirá".
Não assimilando como ainda estava orientando aquela pirralha, Aletheia pediu que ela caminhasse até a parede oposta, ignorando a escuridão; o Cronovísion Facial a faria ver claro como o dia, apenas que temesse o frio extremo. Ela ainda tentava persuadi-la a voltar:
— "Livy, ainda dá tempo de desistir dessa loucura!"
— De que loucura está falando? Já cheguei ao fundo... Há uma alavanca na parede... O que eu faço?!
— Aletheia…!!?
— Está me ouvindo?…
—… O barulho só aumenta e o frio…
— … É terrível!…
— … Aletheia?…
Uma voz fraca saiu quebrada na sua aurícula:
— “Pux... Baixo!”
— Puxar para baixo? É isso?
— Vou puxar para baixo!
— Uhuuuhargh!… Está travada… Congelada, mas tá cedendo…
— Pronto!... E agora?
— Sair? Saindo!
Livy alcançou a saída da criogenia. Seu corpo, ao entrar em contato com a temperatura ambiente, soltou vapores densos que a fizeram parecer uma chaminé de fábrica. Sua comunicação foi totalmente restabelecida com a central:
— "Missão cumprida, Livy Emanuelle. A saída de áudio deu pane pelo frio intenso do perímetro e perdi a conexão temporária, mas você conseguiu me ouvir em fragmentos de voz... Não sei como finalizou a missão, muito menos como sobreviveu biologicamente a ela. Só nos resta aguardar o agente EdiNuñez contatar. Agora pegue o monociclo e retorne para a base, câmbio!"
— "Temos muito que conversar!!!"
Se Aletheia tivesse um corpo, seu queixo estaria no chão, assim como sua dignidade virtual. Pouco tempo depois, já na sala secreta que se transformara em Sala de Emergência de Crise:
— "Parabéns, Livy Emanuelle. Você saiu-se muitíssimo bem nesta atividade. Sua reação levou doze minutos exatos, desde o momento do salto ao minuto em que puxou a alavanca. Mas você precisará me explicar detalhadamente como conseguiu realizar esse feito...
Livy gelou. Salvar seu amado vai fazê-la abrir seu cofre de segredos mais profundos. Aletheia seguia em seus ouvidos:
— "Ah!!! Aos doze minutos e trinta segundos sem contato aqui, o agente EdiNuñez falou comigo — exatas trinta e cinco horas depois que ele pousou no passado... Já amanhecendo sua segunda manhã em solo inimigo".
— Falou com ele? Como assim em solo inimigo? Onde ele foi parar? Fale de uma vez, Aletheia! Droga... Queria ouvir a voz dele, saber como ele está de sua própria boca!
— "Ele está bem e em segurança, preparando-se para atravessar a fronteira e depois iniciar a longa viagem até Copenhague. Fique sossegada, tudo fica devidamente registrado em áudio em nosso sistema. Sente-se e ouça o relato dele enquanto tomo as providências logísticas para a mudança de plano sugerida pelo agente".
... Continua...
Esta história tem roteiro original e foi escrita para os nichos literários Hard Sci-Fi (Ficção Científica fundamentada), Romance Histórico/Épico e Romantasy (Romances maduros de fantasia/ficção). Nela há descrições de violência e conotação sexual. Não contém cenas explícitas, mas é recomendável para público adulto.
Imagem: colagens do Pinterest + ajustes Gemini (Nano Banana)

